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Lições Bíblicas – Edição 335

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Categoria: Lições Bíblicas
Tags: lições bíblicas

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Segundo o filósofo Maurice Riseling, “mais cedo ou mais tarde, a vida nos transforma, todos, em filósofos”. De fato, em algum momento nos questionamos sobre o sentido, a razão ou o porquê de tudo e passamos a buscar uma explicação para as questões últimas da existência (Por que estou aqui? Qual o propósito da vida? O que acontece depois da morte? Por que as coisas são como são? E tantas outras…). Quando isso acontece, é a vida nos transformando em filósofos. A boa notícia é que não estamos sós na busca por sentido e por respostas. A própria Bíblia explora a busca humana pelo sentido das coisas nesta vida. Neste quesito, o livro mais filosófico do Antigo Testamento, que analisa essas questões, é o de Eclesiastes. No Cânon das Escrituras Sagradas, Eclesiastes se encaixa na literatura sapiencial, gênero comum no antigo Oriente Próximo que aborda sabedoria para vida prática e, ao mesmo tempo, as complexidades e mistérios da vida.

 O título do livro, “Eclesiastes”, foi dado por aqueles que traduziram o Antigo Testamento, escrito originalmente em hebraico para o grego (tradução conhecida como Septuaginta), entre os séculos III e I antes de Cristo, “a palavra hebraica da qual os tradutores derivaram esse título é Qoheleth, o nome com que o autor do livro se intitula”. Qoheleth provém de qhl, expressão hebraica usada para se referir a congregação, assembleia ou reunião do povo de Deus (Ec 12:9). Qoheleth é aquele que ensina, prega ou fala em um ajuntamento de pessoas ou reunião do povo de Deus. É por isso que quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego, seus tradutores deram o título de “Eclesiastes”, termo que provém da palavra grega ekklesia e que significa assembleia ou ajuntamento de pessoas, equivalendo assim à palavra hebraica qhl. 

Mas quem é Qoheleth ou o pregador de Eclesiastes? O autor não se identifica nominalmente, denominando-se, apenas como o filho de Davi (1:1), rei de Israel em Jerusalém (1:12). Conquanto o nome de Salomão não apareça explicitamente como autor de Eclesiastes, ele é aquele que melhor se encaixa na descrição feita pelo próprio livro. De fato, a tradição mais antiga, tanto judaica quanto cristã, o reconhece como autor. Os dados contidos em Eclesiastes estão de acordo com a biografia de Salomão, apresentada no Antigo Testamento. Salomão foi rei e o filho de Davi (1 Reis 2:1-12); extremamente sábio (2 Cr 9:23), escritor de provérbios (1 Rs 4:32), riquíssimo (1 Rs 3:12-13; 2 Cr 9:22; Ec 1:1, 12, 2:1-11, 12:9). No escrito, Salomão toma a si mesmo como um estudo de caso; faz de si um recurso literário para ensinar as pérolas de sabedoria que adquiriu. É literalmente como se Salomão voltasse dos mortos e falasse tudo o que ele aprendeu durante sua vida. 

Mas, do que versa o livro? Eclesiastes é um tratado sobre a vida. O sábio analisa a vida a partir de duas perspectivas ou visões de mundo diferentes. A primeira perspectiva parte de uma visão restrita da vida, limitando o sentido da existência apenas àquilo que há “debaixo do sol”, sem considerar nada além. Desta perspectiva, o sentido da vida está restrito apenas às coisas que há neste mundo, como o trabalho, o dinheiro, o sexo, o conhecimento, propriedades, bens etc. O pregador constata que todas essas coisas não são capazes de dar sentido e significado pleno à vida. 

O próprio Salomão obteve fama, poder e dinheiro, mas concluiu que, se formos procurar o sentido da vida apenas no que há disponível “debaixo do sol” o resultado será a frustração. O resultado dessa visão de mundo limitada é uma só: É ilusão, é ilusão, diz o sábio. Tudo é ilusão (Ec 1:2 NTLH). Ilusão (NTLH), vaidade (ARA), nada faz sentido (NVT), inutilidade (NVI) são possíveis traduções da palavra hebraica hebel que, no decorrer do livro se repete pelo menos 37 vezes, significando sopro, nevoa, fumaça, ou seja, algo sem substância ou que logo se dissipa, sendo, portanto, transitório. Essa é a razão pela qual ao tentar agarrar-se às coisas deste mundo como sentido da vida, e considerando que tais coisas não são substanciais o bastante para suportar o peso de nossa esperança ou por serem transitórias, tal ato torna-se sem sentido, inútil, uma ilusão, “vaidade das vaidades” (hebraico, hebel hebalim).

Mas Eclesiastes não é um livro fatalista, cético ou pessimista. Em seu tratado sobre a vida ele apresenta outra perspectiva ou visão de mundo que muda radicalmente nossa análise da existência. Em contraposição à perspectiva restrita às coisas debaixo do sol, analisa a existência a partir da visão de que há um Deus acima de nós, nos céus, a quem devemos temor e reverência (3:14; 5:7; 7:18; 8:12-13, 12:13), pois nos criou (12:1,6) e nos dá a vida e boas coisas deste mundo como presentes para serem desfrutadas (2:24-26; 5:18-19; 8:15; 9:7-9) com responsabilidade, já que um dia há de julgar-nos pelo que fizemos (3:17; 8:12-13; 11:9; 12:7b, 14). Com essa perspectiva tudo muda e toda a realidade é tingida por um novo sentido e significado. O coração humano que anela por aquilo que é eterno (3:11) e, por isso, não se satisfaz com as coisas passageiras deste mundo, só pode encontrar no eterno Deus o propósito de sua existência. Somente então passa a desfrutar das coisas mais simples desta vida, como comer e beber com satisfação. Eclesiastes é, em certo sentido, um livro apologético. “Defende a vida de fé em um Deus generoso, enfatizando o horror de outra alternativa”. Ele é o antídoto de uma vida vazia e sem sentido, em que tudo é uma ilusão.

Na sequência de Eclesiastes em nosso cânon bíblico está Cantares de Salomão ou Cântico dos cânticos que pertence à mesma categoria de livros de sabedoria, escrito em forma de poesia e canção. O título do livro advém do primeiro verso que diz “Cântico dos cânticos” (Ct 1:1). Essa expressão é um superlativo hebraico, algo como “o cântico mais belo dos cânticos”. Desde os tempos mais antigos ele foi denominado de Cântico dos cânticos de Salomão, reconhecendo o monarca, filho de Davi com Batseba, como seu autor. O título contido no próprio livro (1:1) indica-o como autor, além de várias referências a respeito dele no decorrer do escrito (1:1,5; 3:7,9,11; 8:11,12). De fato, Salomão, além de escrever provérbios também compôs muitos cânticos, diz a Bíblia (1 Rs 4:32). 

O livro apresenta basicamente três personagens: uma mulher camponesa e um homem que trocam elogios, expressam desejo, contam seus momentos de intimidade e, às vezes, descrevem seu amor a um grupo de mulheres de Jerusalém. No decorrer da história, muitas foram as interpretações a respeito de Cantares. Alguns o entendem como um tipo de drama ou história romântica, outros como uma alegoria do amor de Deus por seu povo. Essa última interpretação, em especial, foi amplamente usada e difundida tanto no judaísmo quanto no cristianismo. A tradição judaica entendia como uma alegoria entre o amor de Yahweh (o esposo) por Israel (sua noiva), e os cristãos do amor de Jesus por sua igreja. A questão é que não há absolutamente nada no próprio texto que indique o esposo como Deus ou com seu Filho Jesus, nem a esposa, seja com Israel ou com a igreja. Assim não temos a liberdade de dizer o que Cantares não está dizendo, fazendo arbitrariamente uma leitura alegorizante. 

É melhor interpretar o Cântico dos cânticos simplesmente como uma coleção de poemas de amor de Salomão a sua amada camponesa, Sulamita (Ct 6:13). Assim, o livro é uma série de poemas que “falam, clara e explicitamente, a respeito de sentimentos, desejos, interesses, esperanças e temores de dois jovens enamorados”. São vários poemas que expressam “desejo (1:2-4; 2:14-15), provocação (1:7-8; 2:15), admiração (1:15-2:3; 4:9-5:1; 6:4-7), reminiscência (2:8-13), elogio (6:8-10) e descrição dos encantos físicos (4:1-7; 5:10-16; 7:1-6)”.

O livro celebra o amor romântico entre um homem e uma mulher,  mostrando a conjugalidade como uma fonte de deleite e prazer que devem ser desfrutados. Temos aqui uma teologia bíblica do amor. Sendo a Bíblia o manual do criador para sua criatura, por que ele não dedicaria um livro inteiro a essa área tão especial da vida humana? A sexualidade e o desejo no seio matrimonial são tratados de maneira muito desinibida e sem entraves, mostrando como devem ser considerados algo extremamente natural e prazeroso, como bênçãos de Deus para os seres humanos. 

Se Eclesiastes nos mostra que viver em santidade significa comer, beber como dádivas divinas, Cântico nos mostra que a sexualidade dentro do relacionamento conjugal também é um presente dos céus que deve ser deleitado pelos santos, que espiritualidade não é oposta aos prazeres do corpo
(1 Co 10:31). Mais do que nunca, precisamos redescobrir Cântico dos cânticos, em que o amor entre o homem e a mulher e os deleites físicos dessa relação são mostrados como algo belo e puro. Como é preciso tirar a poeira de um objeto guardado por muito tempo para enxergá-lo em toda a sua beleza novamente, o livro dos Cânticos precisa ser tirado da gaveta na qual ficou trancado, para ser lido por nós hoje. Quem sabe ao tirar a poeira das más intepretações enxerguemos novamente as preciosidades que ele nos ensina!?

Nossa oração é para que a igreja desfrute da sabedoria que Eclesiastes e Cantares têm para fornecer no decorrer de todo esse trimestre em que nos dedicaremos à tarefa de estudá-los.

Kassio F. P. Lopes
Secretário da Editora Promessa

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