Woman praying and free bird enjoying nature on sunset background, hope concept

Sobre o perdão

Na chamada oração modelo, ensinada por Jesus, seus seguidores foram desafiados a orar da seguinte maneira: … e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (Mt 6:12).

Observe que, por trás desta frase, está o desejo do mestre, que seus seguidores exercitem no dia-a-dia, a prática do perdão uns para com os outros. Além disso, podemos notar que Jesus colocou o perdão de Deus como paradigma ou exemplo para o perdão ao próximo. Paulo reafirmou este ensino de Jesus em uma de suas cartas: Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós (Cl 3:13). “Assim como”, ou seja, o padrão ou exemplo para o perdão ao próximo, é o perdão que nós, seus seguidores, recebemos do Senhor.

Além de expressar esta verdade na oração do Pai nosso, Jesus a ilustrou ao apóstolo Pedro, através de uma parábola: a do credor sem compaixão (cf. Mt 18:23-35). Esta história está no contexto da conversa de Jesus com o apóstolo, sobre perdão. Pedro se aproximou do mestre para perguntar quantas vezes deveria perdoar o seu irmão (Mt 18:21). A sugestão dele foi a seguinte: Até sete vezes? A bem da verdade, ao que parece, é que ele estava querendo ser elogiado por Jesus, e mostrar que era um homem de coração bom. As leis rabínicas diziam que a pessoa deveria perdoar três vezes. Pedro dobra o número, e ainda acrescenta mais um, para chegar ao número sete: “Quanta generosidade!”. Daí, Jesus diz: Não te digo que até sete vezes; mas setenta vezes sete (Mt 18:22). O que Jesus está querendo não é que façamos uma conta de multiplicação e cheguemos a um número “x”.

O que ele quer mostrar é: não há limites para o perdão, a questão mais crucial não é o número correto, mas a atitude correta – estar sempre pronto para perdoar.

E para que ficasse bem claro o ensino, Jesus o ilustra logo em seguida. Ele conta sobre um rei que quis acertar as contas com seus servos, e fala de um servo que devia 10 mil talentos, algo em torno de 60 milhões de denários. O denário era o valor pago por um dia do trabalho braçal, na época de Jesus.
Para tentarmos relacionarmos com os nossos dias, pensemos no salário de uma diarista. O portal R7 publicou uma matéria que dizia que uma diarista em São Paulo ganha, em média, R$ 4,47 por hora. Se ela trabalhar oito horas por dia ganhará R$ 35,76, este seria o seu denário. Se multiplicarmos este valor por 60 milhões, teremos mais de 2 bilhões de reais. Veja o quanto o servo da história estava encrencado. Ele não tinha como pagar esta dívida (Mt 18:25)! Todavia, depois de muito suplicar, recebeu perdão sem ter de pagar nada. É exatamente assim que o rei celeste faz conosco. Nós lhe devíamos uma soma impagável, mas por tanto nos amar, ele enviou Jesus, e por causa dele, somos perdoados. É baseado neste imenso perdão que recebemos que devemos nos perdoar uns aos outros, sempre que necessário.

Lembre-se disso quando alguém lhe magoar!

Na parábola, o servo que fora perdoado, não perdoou aquele que lhe devia uma quantia irrisória, se comparada ao tamanho da dívida da qual a pouco recebera perdão. O texto diz que Ele pegou esse companheiro pelo pescoço e começou a sacudi-lo, dizendo: “Pague o que me deve!” (Mt 18:28, NTLH). Pense em quanta tensão não gera uma atitude destas! Não é só o sufocado quem sofre, mas quem sufoca. Não perdoar gera dor, tensão, ansiedade, amargura, etc. Por isso, se você tem queixa de alguém, “solte o pescoço” desta pessoa rapidamente! Isto só está lhe prejudicando! Perdoe prontamente.

A comunidade de Jesus, a igreja, é uma comunidade perdoadora. Assim como fomos alcançados sem merecer, vivamos esta virtude em nosso dia-a-dia. Apesar do desafio – pois é muito mais fácil falar de perdão do que praticar o perdão – vale muito a pena viver assim!

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